Direito Trabalhista — Trabalho Doméstico — 19 de julho de 2026 — Leitura de 5 min
Contratar um empregado doméstico "de boca", sem formalizar nada, é uma das principais causas de passivos trabalhistas para famílias empregadoras. A boa notícia é que formalizar corretamente não é complicado — exige apenas seguir alguns passos na ordem certa.
Neste artigo:
A contratação correta protege as duas partes: o empregado tem seus direitos assegurados desde o primeiro dia, e o empregador evita surpresas — como uma reclamação trabalhista anos depois cobrando um período inteiro sem registro.
Vale confirmar que a pessoa a ser contratada tem 18 anos completos (é vedado o trabalho doméstico para menores de idade) e reunir os documentos básicos: CPF, documento de identidade e dados bancários para pagamento e recolhimento do FGTS. Se a relação envolver mais de 2 dias por semana na mesma residência, ela já se enquadra como emprego doméstico (art. 1º da LC 150/2015), e não como diarista.
O contrato de trabalho doméstico pode ser escrito ou verbal, mas o registro escrito — hoje formalizado no próprio eSocial Doméstico — é o que documenta salário, jornada e função combinados, evitando divergências futuras sobre o que foi acertado.
A lei permite contratar por experiência, com duração máxima de 90 dias, podendo ser prorrogado uma única vez dentro desse limite total. É uma forma de as duas partes avaliarem a adaptação antes de um vínculo por prazo indeterminado, sem abrir mão de nenhum direito do período.
A Carteira de Trabalho deve ser anotada em até 48 horas da admissão (art. 9º da LC 150/2015), com a data real de início do contrato. Hoje, esse registro — junto com o cadastro do empregado, o histórico de salários e os recolhimentos mensais — é feito pelo portal do eSocial Doméstico, que unifica as obrigações do Simples Doméstico.
Os erros mais frequentes são: começar o trabalho antes de formalizar o registro, pagar "por fora" sem recolher FGTS e INSS, não anotar a jornada real e não seguir o rito correto quando o contrato termina. Cada um desses pontos pode virar uma reclamação trabalhista anos depois, com cálculo retroativo de todo o período irregular. Conheça a nossa atuação em Direito do Trabalho.
Contratar corretamente um empregado doméstico é mais simples do que parece: documentos básicos, registro no eSocial dentro do prazo e clareza sobre jornada e salário desde o início. Esse cuidado inicial é o que evita a grande maioria dos passivos trabalhistas que chegam à Justiça do Trabalho anos depois.
Fundamentos
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Dúvidas
Frank Fernandes| Sócio-fundador
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