Direito Criminal — 19 de julho de 2026 — Leitura de 5 min
Poucas correspondências assustam tanto quanto uma intimação para depor. Antes de qualquer coisa, é preciso entender em que condição você foi chamado — como testemunha ou como investigado —, porque isso muda completamente os seus direitos e deveres.
Neste artigo:
Receber uma intimação não significa, por si só, ser culpado de nada. Significa que a sua presença ou o seu relato foram considerados úteis a uma investigação ou a um processo. Saber como agir preserva os seus direitos e evita decisões movidas pelo nervosismo.
Como testemunha, a pessoa é chamada para relatar o que sabe sobre fatos que interessam à apuração, e há o dever de dizer a verdade. Como investigado ou suspeito, a lógica é outra: entra em cena o direito de não produzir prova contra si mesmo. Por isso, o primeiro passo é identificar, na intimação, em que qualidade você foi chamado.
A testemunha regularmente intimada tem, em regra, o dever de comparecer. A ausência injustificada pode levar à condução coercitiva e a outras consequências previstas no Código de Processo Penal (arts. 218 e 219). O investigado também é intimado, mas, além do comparecimento, precisa ter em mente o seu direito ao silêncio.
Veja também nosso artigo sobre o que fazer ao receber uma intimação policial.
A Constituição assegura que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo: o art. 5º, LXIII, garante o direito de permanecer calado. O exercício desse direito não pode ser interpretado em prejuízo de quem o utiliza. É uma proteção especialmente relevante para quem figura como investigado.
Ter advogado é um direito — e, na prática, uma proteção importante. O acompanhamento profissional ajuda a esclarecer em que condição você foi chamado, a orientar sobre o que dizer, a acompanhar o ato e a preservar os seus direitos. Isso vale sobretudo para o investigado, mas a testemunha também pode ser acompanhada. Conheça a nossa atuação em Direito Criminal.
Assim que receber a intimação — de preferência antes da data marcada. Esse tempo permite entender o contexto, organizar informações e comparecer com segurança, evitando que o nervosismo leve a declarações precipitadas.
Uma intimação para depor deve ser levada a sério, mas não precisa ser motivo de pânico. Compreender se você é testemunha ou investigado, conhecer o direito ao silêncio e buscar orientação são os passos que transformam um momento de tensão em uma situação sob controle.
Fundamentos
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Dúvidas
João Inoue| Advogado